Festival celebra “Resiliência” de Aldino Muianga na Literatura

Depois de no ano passado ter falhado, por imposição da COVID-19, acontece, agora, o Festival Literário Resiliência. Marcado entre os dias 5 e 7 de Maio, a presente edição, que adopta um formato online, irá reunir cerca de 14 participantes, entre escritores, jornalistas culturais, professores e críticos literários, de Moçambique, Portugal e Brasil.

Se há maior “resiliência” que se deve celebrar, está é, com certeza, do escritor moçambicano Aldino Muianga. A curadoria do festival tomou em conta, entre outros aspectos, o facto de Muianga, médico de profissão, ser um dos dos mais destacados autores que Moçambique viu nascer, tendo parido uma dezena de obras literárias, entre romances e contos, para além ter sido graciado pelo mais importante prémio literário em Moçambique, Prémio José Craveirinha, em 2009.

Esta edição retoma retoma depois de em 2020 não se ter realizado no contexto da incerteza gerada pela pandemia à escala global, e tem como base de realização a “nova normalidade”, em que se encontram os escritores e todo o sistema literário, com a impossibilidade de viagens, festivais literários e lançamentos de livros com a presença do público, em diálogo com o autor.

“Uma edição que mantém o rumo tomado desde a última edição do festival, olhar para a língua portuguesa, língua de trabalho e criação do escritor, como oportunidade de fortalecimento de uma comunidade intercontinental, promovendo acções de diálogo e intercâmbio entre autores e circulação de obras literárias, sendo por isso que a sua realização sempre coincide com a celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, lê-se no comunicado recebido pela Entre Aspas.

No primeiro dia, o evento contará com uma conferência de abertura com o autor homenageado, a ser moderada por Lucílio Manjate, escritor e ensaísta, professor de literatura na Universidade Eduardo Mondlane e, haverá ainda quatro mesas de conversas com outros autores. Ainda no primeiro dia, realizar-se-á a primeira mesa de conversa com o tema “Escrever em português hoje: como, porquê e para quem” com a escritora moçambicana Virgília Ferrão, vencedora do Prémio 10 de Novembro 2019, o escritor português João Pinto Coelho, prémio Leya 2017 com o romance “Os Loucos da Rua Mazur”, e o brasileiro Itamar Vieira Júnior, autor do romance “Torto Arado”, vencedor de Prémio LeYa de 2018, do Prémio Jabuti de 2020 e do Prémio Oceanos de 2020.

No dia 6 de maio, segundo dia do festival, serão transmitidas duas mesas, uma às 16 horas de Moçambique, com Nazir Can, professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro e Francisco Noa, ensaísta e professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane, que falarão da “Recensão crítica à obra de Aldino Muianga”, sob a moderação do jornalista Elton Pila. Às 17h30 será transmitida a terceira mesa com o tema “Ainda há histórias por escrever” com o escritor, jornalista e editor moçambicano Nelson Saúte, autor de obras de poesia, narrativa, crónicas e entrevistas e o escritor português Afonso Cruz, autor de mais de trinta livros, entre romances, novelas, teatro, poesia, álbuns ilustrados e não-ficção, sob a moderação da professora Olga Pires.

O último dia encerra com uma mesa em que o autor convidado especial do RESILIÊNCIA 4, Rogério Manjate estará à conversa com o jornalista e crítico literário José dos Remédios, às 16 horas.

Desde 2018 que a Editora Cavalo do Mar tem vindo a organizar o Festival de Literatura RESILIÊNCIA, com vista a promover o livro e a leitura e a incentivar uma maior circulação das obras dos autores moçambicanos, dentro e fora do país, contribuindo assim para a edificação de um sistema literário resiliente e; concorrendo para a formação de leitores no país e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através de um amplo acesso ao vasto universo da nossa literatura.

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