Marcelino Manhula descobre artistas de mosaico no CCMA

O artista plástico Marcelino Manhula é uma voz autorizada quando o assunto é arte do mosaico no país e além-fronteiras. Com mais de 15 anos de experiência em embelezar superfícies com pedras decorativas, não se atreve a trancar o seu talento no bolso. Por isso, desde segunda-feira (12) dirige oficina criativa de mosaico no Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA), em Maputo.

Para Manhula, em conversa exclusiva com a Entre Aspas na manhã de hoje (15), esta oficina é, acima de tudo, uma oportunidade para os jovens aprenderem através das suas próprias mãos, “pois a juventude de hoje tem ido à escola, mas é difícil ter um auto-emprego”, o que é contrariado pela actividade que se exerce no jardim do CCMA. Para além de aprender a arte do mosaico, as três semanas serão preponderantes para cada participante formar a sua equipa, tendo em conta, sobretudo, as múltiplas funções que a arte mosaicista apresenta.

A matéria-prima em uso na oficina chama-se pedra branca, ou melhor, mármore e foi adquirida em Cape Town, na África do Sul, a (segunda) casa de Manhula. De lá, o artista arrastou cerca de 600kg de pedra, que estão a ser partidos em pequenos cubos de 3mm. No final, as pequenas pedras serão coladas ao muro do jardim do CCMA, numa obra que vai se chamar “Nós do amanhã”. E este título não é ao acaso, afinal, o trabalho que se está a montar será deveras útil no futuro, ao contribuir para a criação de emprego sustentável.

Participam na oficina 17 jovens, entre 18 e 35 anos, resultado de uma chamada online realizada pelo CCMA. Desta forma, Manhula entende que possibilitou a participação de pessoas sem experiência em mosaico, o que, por sinal, era (mesmo) a pretensão do artista.

Esta é a sexta oficina que Manhula realiza e a terceira em Moçambique. Já realizou uma em Madagáscar, outra no Japão e outra ainda em Portugal. É autor de várias exposições no país e no mundo, a destacar as individuais “A Canoa no Zelo” (2017), na Fundação Fernando Leite Couto e “Sabores de Amor” (2019), na Galeria Kulungwana, em Maputo, entre residências artísticas.

A residir na África do Sul, onde realiza aulas e treinamento, conta com uma equipa de 15 pessoas. E espera que, com esta oficina, haja oportunidade de criar um grupo local para a realização de trabalhos no país.

Nascido em 1986, Marcelino Manhula estudou Têxteis na Escola de Artes Visuais, em Maputo, e tem dois mestrados: um na África do Sul e outro na Itália.

A oficina criativa de mosaico é fruto de uma parceria entre Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA) e Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).

 

A essência do mosaico

O mosaico é uma arte decorativa milenar que reúne pequenas peças de diversas cores para formar uma grande figura. Do grego, o termo mosaico (mouseîn) é relativo às musas.

Representam a colagem próxima de pequenas peças, formando um efeito visual (seja um desenho, figura, representação) que envolve organização, combinação de cores, de materiais e de figuras geométricas, além de criatividade e paciência.

Até hoje o mosaico é utilizado nas artes e pode ser formado por diversos tipos de materiais (tesselas) em formatos distintos: pedaços de vidro, plástico, papel, cerâmica, porcelana, pedras preciosas, mármore, granito, marfim, grãos, miçangas, conchas, azulejos, ladrilhos, dentre outros.

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