A fitopatologista moçambicana Lourena Arone Maxwell é distinguida, esta quarta-feira (21), em Iowa, nos Estados Unidos da América (EUA), no âmbito do reconhecimento internacional Top Agri-food Pioneers 2026, promovido pela Fundação Prémio Mundial da Alimentação (World Food Prize Foundation).
A cientista integra um grupo de 40 investigadores, empreendedores, decisores políticos e outros profissionais de 30 países, seleccionados pelos seus contributos para a transformação dos sistemas agro-alimentares e para o enfrentamento dos desafios globais da segurança alimentar. A distinção reconhece o seu trabalho em protecção sustentável de culturas agrícolas e desenvolvimento de soluções biológicas para o controlo de pragas e doenças.
Segundo informações publicadas pela Fundação e pelo World Vegetable Center (WorldVeg), instituição internacional onde trabalha como cientista na área da fitopatologia, Maxwell tem desenvolvido investigação destinada a melhorar a saúde das plantas, reduzir as perdas agrícolas e promover sistemas de produção mais resilientes e ambientalmente sustentáveis.
Ao longo de mais de 15 anos de experiência profissional, Maxwell tem-se dedicado à protecção das culturas agrícolas, à gestão integrada de pragas e doenças e à melhoria das condições de produção alimentar.
Um dos marcos do seu percurso em Moçambique foi a criação das primeiras clínicas de plantas do país no âmbito da iniciativa Plantwise, um modelo de aconselhamento agrícola que permite aos produtores obter assistência técnica para identificar e gerir problemas que afectam as suas culturas.
Nestas clínicas, os agricultores podem apresentar amostras de plantas afectadas, que são examinadas por técnicos especializados, conhecidos como médicos de plantas. Com base no diagnóstico, recebem recomendações sobre prevenção, controlo e gestão de pragas e doenças, incluindo medidas que permitem reduzir a dependência de pesticidas químicos.
A iniciativa procura aproximar a investigação científica das necessidades concretas dos produtores, sobretudo daqueles que têm acesso limitado aos serviços de assistência técnica agrícola. Em Moçambique, as clínicas electrónicas de plantas foram lançadas em Novembro de 2017, em comunidades de Tenga, no distrito de Moamba, província de Maputo, e de Morrumbene, na província de Inhambane, através de uma colaboração com a então Direcção Nacional de Extensão Agrária.
Além de apoiar o diagnóstico de problemas agrícolas, este modelo pode contribuir para a identificação precoce de pragas, a partilha de informação entre técnicos e a melhoria das respostas a ameaças que comprometem a produtividade. A abordagem Plantwise é coordenada internacionalmente pela CABI, organização especializada em agricultura, ambiente e desenvolvimento.
Outra dimensão relevante do trabalho de Maxwell é a investigação de alternativas sustentáveis para a protecção das culturas. A cientista desenvolve, no World Vegetable Center, abordagens que combinam diagnóstico, gestão integrada de pragas, biochar e agentes de controlo biológico para melhorar a saúde do solo e das plantas.
O controlo biológico recorre a organismos vivos ou aos seus mecanismos de acção para combater pragas e doenças agrícolas. Quando adequadamente estudadas, testadas e aplicadas, estas soluções podem reduzir a necessidade de determinados pesticidas sintéticos e contribuir para sistemas agrícolas mais seguros e resilientes.
De acordo com o WorldVeg, Maxwell também apoiou o processo de registo do primeiro biopesticida de Moçambique, um passo importante para a disponibilização de alternativas biológicas destinadas à protecção das culturas.
A sua investigação abrange ainda estratégias de biocontrolo para limitar a contaminação por aflatoxinas em culturas alimentares. Estas toxinas são produzidas por determinados fungos e podem representar riscos para a saúde humana e animal, além de comprometerem a qualidade dos produtos agrícolas e as oportunidades de comercialização.
Elcídio Bila
Oficial de comunicação e criativo com mais de 10 anos de experiência em jornalismo, assessoria de imprensa, edição e produção cultural. A sua trajectória destaca‑se pela versatilidade, cruzando media, criação literária e projectos socioculturais. Reúne competências em escrita criativa, edição de imagem, vídeo e design gráfico, complementadas por capacidade de liderança e gestão de equipas.