Uma diferença de apenas uma hora nos horários de dormir e acordar foi associada a um aumento significativo do risco de apneia obstrutiva do sono e hipertensão.
Se durante a semana costuma deitar-se às 22h00, mas no dia seguinte vai para a cama às 23h00 e depois volta a mudar o horário, pode estar a alterar mais do que simplesmente a sua rotina. Um estudo realizado por investigadores do Scripps Research, nos Estados Unidos, encontrou uma associação entre a irregularidade dos horários de sono e um maior risco de apneia obstrutiva do sono e hipertensão.
A investigação, publicada em Dezembro de 2025 no Journal of Medical Internet Research, analisou dados de sono recolhidos através de dispositivos digitais, como relógios e pulseiras inteligentes. Os investigadores analisaram dados de 391 adultos, muitos dos quais forneceram cerca de dois anos de informações sobre os seus padrões de sono.
O resultado que mais chama atenção é que uma variação de uma hora nos horários de sono durante a semana esteve associada a um aumento de 159% nas probabilidades de apresentar elevado risco de apneia obstrutiva do sono, depois de considerado o índice de massa corporal. No caso da hipertensão, a mesma variação de uma hora esteve associada a um aumento de 71% nas probabilidades.
Na prática, isso significa que manter horários relativamente consistentes pode ser importante. Uma pessoa que normalmente se deita às 22h00, por exemplo, mas passa frequentemente a dormir às 23h00 ou à meia-noite, pode estar a criar uma irregularidade no seu padrão de sono. O estudo, porém, encontrou uma associação e não prova que mudar o horário de dormir seja, por si só, a causa directa dessas doenças. Os próprios investigadores defendem que são necessários mais estudos para compreender os mecanismos envolvidos.
Não é apenas uma questão de dormir muitas horas durante muito tempo, a atenção sobre o sono esteve concentrada principalmente na quantidade de horas dormidas. A investigação mais recente reforça uma outra dimensão: a regularidade também pode ser importante.
Os investigadores observaram que a irregularidade dos horários de sono pode estar relacionada com mecanismos como inflamação, alterações dos ritmos de cortisol e disfunções metabólicas, factores que podem contribuir para problemas cardiovasculares.
Isso não significa que todos tenham de dormir exactamente à mesma hora todos os dias. Trabalho por turnos, compromissos familiares, viagens e outras situações podem alterar naturalmente os horários. A recomendação prática é procurar, dentro do possível, estabelecer uma rotina de sono relativamente previsível.
Para quem quer dormir melhor, pequenas mudanças podem ajudar. Manter horários semelhantes para deitar e acordar, reduzir o uso de telemóveis e outros aparelhos electrónicos antes de dormir, manter o quarto escuro e silencioso e evitar bebidas estimulantes próximo da hora de dormir são algumas estratégias de higiene do sono.
Também pode ser útil evitar refeições muito pesadas imediatamente antes de ir para a cama e reservar os últimos momentos do dia para actividades relaxantes, como ler, ouvir música tranquila ou simplesmente reduzir a exposição a estímulos.
Mais importante ainda, sinais como ronco frequente, pausas na respiração, sonolência excessiva durante o dia ou despertares repetidos não devem ser ignorados. Nesses casos, procurar avaliação de um profissional de saúde pode ajudar a identificar possíveis distúrbios do sono.
No fim, a mensagem do estudo é simples: dormir bem não significa apenas contar as horas. A regularidade com que se dorme também pode fazer parte de uma rotina de sono mais saudável.