A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) anunciou, na sexta-feira (24) em Maputo, que Moçambique duplicou a população de elefantes, passando de 9.114 animais registados em 2018 para 22.718 no Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025.
Os resultados divulgados na apresentação oficial do censo, confirmam uma recuperação significativa da espécie e reforçam os avanços alcançados pelo país na conservação da biodiversidade.
O crescimento da população de elefantes representa um dos principais indicadores do sucesso das políticas de conservação implementadas nos últimos anos. De acordo com a ANAC, a recuperação resulta da intensificação das acções de fiscalização nas áreas de conservação, do combate à caça furtiva, da colaboração entre o Governo e as comunidades locais e do apoio de parceiros nacionais e internacionais dedicados à preservação da fauna bravia.
Outro dado considerado encorajador é a redução do número de carcaças de elefantes encontradas nas áreas de conservação. O rácio de carcaças baixou de 48,35%, registado no censo de 2018, para apenas 4,6% em 2025, o que demonstra uma diminuição expressiva da mortalidade provocada pela caça ilegal. Para as autoridades, este indicador confirma que os mecanismos de protecção da espécie têm produzido resultados positivos.
Segundo a ANAC, a recuperação da população de elefantes tem também impacto no fortalecimento dos ecossistemas nacionais, uma vez que estes animais desempenham um papel essencial na dispersão de sementes, na regeneração das florestas e na manutenção do equilíbrio ecológico das áreas protegidas. Além disso, o aumento do número de elefantes poderá contribuir para o desenvolvimento do turismo de natureza, um sector considerado estratégico para a economia moçambicana.
Apesar dos resultados animadores, as autoridades reconhecem que continuam a existir desafios para garantir a conservação da fauna bravia. A expansão das actividades agrícolas, o crescimento dos assentamentos humanos, a exploração ilegal de recursos naturais e os conflitos entre pessoas e animais selvagens continuam a ameaçar os habitats naturais. Por isso, a ANAC defende o reforço da fiscalização, da educação ambiental e da participação das comunidades locais na gestão dos recursos naturais.
O Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025 foi coordenado pela ANAC, com apoio técnico do Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE) e financiamento do Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND). Os dados recolhidos servirão de base para definir novas estratégias de conservação e gestão sustentável da fauna bravia em Moçambique, contribuindo igualmente para o cumprimento dos compromissos internacionais do país em matéria de protecção da biodiversidade.
Maria de Cármen Macuiane
Maria de Cármen Macuiane nasceu no dia 13 de agosto de 1999, na cidade de Maputo, Moçambique. Frequentou o ensino primário na Escola Primária Completa de Wiriyamo. Concluiu o 1.º ciclo do ensino secundário na Escola Secundária Heróis Moçambicanos e o 2.º ciclo na Escola Secundária de Laulane. Actualmente, é estudante finalista da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).