As queimadas descontroladas estão a ameaçar a sobrevivência de algumas espécies de plantas medicinais utilizadas pelos praticantes da medicina tradicional na província de Manica, segundo um alerta da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique, emitido esta segunda-feira (7), naquela província.
O alerta foi lançado pelo presidente da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique em Manica, Maurício Jossias, que considera preocupante o desaparecimento de plantas utilizadas como matéria-prima no tratamento de diversas doenças.
Segundo Jossias, o desmatamento constitui igualmente um dos principais factores que contribuem para a destruição das espécies vegetais utilizadas pelos praticantes da medicina tradicional. A redução dessas plantas poderá dificultar o acesso a determinados recursos naturais indispensáveis às práticas da medicina tradicional.
A situação assume particular relevância devido à importância das plantas medicinais para os cuidados de saúde de várias comunidades. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que as plantas medicinais desempenham um papel significativo na medicina tradicional, enquanto a degradação ambiental e as queimadas descontroladas constituem ameaças à conservação dessas espécies.
Em Moçambique, documentos sobre a conservação da biodiversidade também apontam as queimadas descontroladas e frequentes, o corte de vegetação para abertura de machambas e a produção de carvão como factores que ameaçam espécies de plantas de interesse medicinal.
A continuidade das queimadas poderá, deste modo, agravar a escassez de determinadas plantas e afectar os praticantes da medicina tradicional que dependem desses recursos para desenvolver as suas actividades.
O alerta reforça a necessidade de intensificar as medidas de prevenção e sensibilização das comunidades para reduzir as queimadas descontroladas e proteger as espécies vegetais com valor medicinal existentes na província de Manica.
A preservação dessas plantas é considerada importante não apenas para a conservação da biodiversidade, mas também para garantir a disponibilidade de recursos utilizados nos cuidados de saúde tradicionais.
Maria de Cármen Macuiane
Maria de Cármen Macuiane nasceu no dia 13 de agosto de 1999, na cidade de Maputo, Moçambique. Frequentou o ensino primário na Escola Primária Completa de Wiriyamo. Concluiu o 1.º ciclo do ensino secundário na Escola Secundária Heróis Moçambicanos e o 2.º ciclo na Escola Secundária de Laulane. Actualmente, é estudante finalista da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).