A apresentação do Mapeamento do sector do cinema e audiovisual, hoje (06), no Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), em Maputo, foi uma oportunidade para os profissionais expressarem inquietações sobre a sua área de actuação.
Proposto pela Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, o evento decorreu presencialmente e online, o que possibilitou a participação de técnicos para além de Maputo e de Moçambique.
O evento contou com profissionais dos países envolvidos, nomeadamente Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, incluindo Angola, não obstante, nesta fase, não estar envolvido. A sessão não contou, contudo, com a presença de profissionais da Guiné-Bissau.
Conforme o propósito, Diana Manhiça, coordenadora do projecto, e Vanessa Massitela, que fará a recolha de dados em Moçambique, explicaram aos presentes os passos que serão seguidos para a execução do referido mapeamento.
Este trabalho de recolha e análise de dados demográficos sobre profissionais e empresas a operar no sector pretende concretizar a sistematização, melhoria e divulgação do directório profissional digital, prototipado em 2019, que se encontra em actualização e ficará disponível online.
Este processo, incluído nos objectivos gerais da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL, pretende reforçar o conhecimento da contribuição do sector audiovisual para as economias nacionais, promovendo a utilização dessa informação.
“Esperamos, como sociedade civil, contribuir para a existência de dados sistematizados que colaborem para o desenvolvimento de políticas públicas, mas também, e essencialmente, promover a divulgação de informação sobre os profissionais e obras no contexto internacional, demonstrando e catapultando o seu potencial de contribuição para as economias nacionais.”
A expectativa, em Moçambique, é que se possam recolher e verificar dados de profissionais, associações, colectivos e empresas, bem como promover alguns encontros profissionais para recolha de percepções e expectativas.
Logo à partida, esclareceu-se que a razão desta iniciativa é cartografar a “mão de obra” existente, entre freelancers e empresas, de modo a facilitar o recrutamento dos mesmos em caso de necessidade, assim como responder à ausência de dados sobre o sector audiovisual no Sul Global, uma lacuna frequentemente identificada nos relatórios anuais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Neste sentido, será criado um repositório online com os dados dos profissionais que configurarem os seus perfis profissionais, onde se poderão consultar as suas habilidades, localização e portfólio.
Para o efeito, na primeira fase, já em curso, está a ser feito contacto directo, por telefone ou redes sociais, com os profissionais já acessíveis, solicitando-se aos mesmos que partilhem contactos dos seus colegas, de modo a criar o efeito de bola de neve.
Posteriormente, serão criadas as contas dos mesmos, que terão autonomia de edição da informação disponível, permitindo-lhes actualizar os dados à medida que a sua lista de trabalhos e premiações for aumentando.
De modo a garantir que as actualizações sejam realmente feitas, esclareceu Diana Manhiça, os “usuários receberão emails mensais a recordá-los que devem concluir a inscrição e inserir dados novos”.
As províncias de Maputo, Zambézia, Nampula e Sofala serão, por ora, as contempladas e terão pontos focais em cada uma delas, que irão fazer a recolha de dados posteriormente enviados para Vanessa Massitela, para integração no repositório.
Esta actividade já arrancou em Timor-Leste, em Maio deste ano, tendo Manhiça se deslocado ao país para essa missão. Cabo Verde, prometeu Samira Vera-Cruz, que coordena a acção no arquipélago, participando remotamente, irá arrancar em Setembro, estando neste momento a acertar questões logísticas para o efeito.
Na ocasião, os presentes, paralelamente às dúvidas sobre o projecto, assumiram desconhecimento em relação a questões relativas ao funcionamento dos direitos de autor, onde e como registar as suas empresas, actividades ou obras, entre outros aspectos restritos à área legal.
Houve propostas de fóruns de conversa entre o INICC e os profissionais, de modo a que haja um diálogo directo entre os fazedores e os representantes do Estado que velam pelo sector, bem como sugestões de uma campanha de inscrição gratuita para obtenção de licenças, sendo que a cobrança poderia começar a partir da renovação das mesmas.
Um dos representantes da entidade que esteve presente na sala reconheceu a necessidade e assumiu o compromisso institucional de dar seguimento às preocupações expostas por quem, diariamente, está no terreno e a viver os dilemas reais da realização de um filme.
O trabalho agora iniciado prevê, para os próximos 12 meses: a apresentação pública de um Relatório Overview com recomendações para políticas do sector nos PALOP e em Timor-Leste; o relançamento da plataforma online como um Mapa do Audiovisual PALOP+TL e como um espaço de networking; e o lançamento da futura Agência de Curtas-metragens PALOP+TL.
Em Moçambique, a Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL tem igualmente previstos, nos próximos meses, o FilmLab MZ (de 24 de Agosto a 4 de Setembro), em parceria com o 16.º KUGOMA, e a apresentação pública da nova plataforma (5 de Setembro).
A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL é uma iniciativa coordenada pela AAMCM – Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique, associação cultural moçambicana sem fins lucrativos, implementada com parceiros em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, e com apoio financeiro do Camões, I.P., através do PROCERIS – Programa Cultura e Empreendedorismo com Responsabilidade e Inclusão Social.