O reconhecido cartoonista moçambicano Sérgio Zimba prepara, para o mês de Setembro (10), a reedição de três das suas obras literárias mais emblemáticas. Trata-se de “Mafenha” (3.ª edição), “Riso pela Paz – Hlekane” (2.ª edição) e “Lágrimas de Riso – Tsakani” (2.ª edição), numa publicação assumida pela TPC Editora.
Com mais de 12 livros publicados ao longo de mais de três décadas de carreira, Zimba reúne, nesta cerimónia a ter lugar no Camões – Centro Cultural Português, três momentos-chave do seu percurso.
“Mafenha” nasce da rubrica “Coisas de Maputo”, publicada no jornal Domingo, e reúne cartoons já conhecidos do público, a par de trabalhos inéditos.
Já “Riso pela Paz – Hlekane”, o primeiro livro do autor, foi publicado após a assinatura dos Acordos Gerais de Paz de Roma, em 1992, e reflecte o sentimento de transição vivido pelo país, usando o humor como ferramenta de terapia e de aproximação entre antigos opositores, numa mensagem de tolerância e convivência pacífica.
“Lágrimas de Riso – Tsakani”, por seu turno, publicado dois anos depois, funciona como continuidade crítica dessa obra, virando o olhar para as duras realidades do quotidiano, como o desemprego, a pobreza urbana e o aumento da criminalidade, além de tabus sociais como a prostituição e a infidelidade, sem deixar de retratar, com ironia, o impacto das políticas de mercado livre na nova dinâmica de classes em Maputo.
Segundo o editor Cremildo Afonso Bié, o trabalho de Zimba “não é apenas um livro de desenhos; é um documento de cidadania”. Para o editor, a obra é também uma prova de que o riso pode ser terreno comum para a paz, desde que sejamos capazes de rir da nossa própria realidade para, então, transformá-la.
Para além da obra editorial, Sérgio Zimba tem uma longa trajectória de colaboração institucional, colocando a sátira ao serviço de campanhas de sensibilização e mobilização social em Moçambique. Entre os parceiros do seu trabalho contam-se a Electricidade de Moçambique (EDM), no combate ao roubo de energia e na promoção da eficiência energética; a Rede HOPEM (Homens Pela Mudança), em campanhas sobre direitos humanos, igualdade de género e prevenção da violência doméstica; o Banco de Moçambique, na campanha de educação financeira “Introdução do Metical da Nova Família” (2006/2007); e organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a adaptação ilustrada da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2005.
Os livros serão apresentados por Jorge Dias, coordenador-geral do Instituto Guimarães Rosa (IGR); Francisca João irá assumir a condução do evento como mestre de cerimónias e Tchaka Waka Bantu fará a performance poética.
Espera-se uma cerimónia bastante concorrida, reunindo leitores, artistas, profissionais da comunicação social e agentes culturais, num momento de celebração do percurso do cartoonista e de valorização do cartoon como expressão artística, cultural e de cidadania.