Num mundo em que a tecnologia ocupa cada vez mais espaço na rotina, Stewart Sukuma chama atenção para aquilo que, segundo o músico, não pode ficar para trás: a capacidade de ser humano.
Em entrevista ao Podcast ONU News, o Embaixador da Boa Vontade do UNICEF defendeu uma educação capaz de preparar as novas gerações não apenas para dominar ferramentas e acumular conhecimento, mas também para cuidar umas das outras, do ambiente e da sociedade.
Para o artista, a velocidade das transformações tecnológicas contrasta com modelos de ensino que continuam muito ligados à memorização de conteúdos e à valorização das notas. Na sua perspectiva, preparar crianças e jovens para o século XXI exige uma abordagem mais dinâmica, que combine conhecimento, consciência e desenvolvimento humano.
A proposta de Sukuma passa por colocar valores como empatia, amor, cooperação e respeito no centro da formação. Ao lado das disciplinas tradicionais e das ferramentas digitais, o músico defende que as novas gerações precisam aprender a compreender os outros, lidar com as diferenças e participar de forma mais consciente na sociedade.
A relação com o meio ambiente também ocupa um lugar importante na sua visão. O artista fala de uma educação “verde”, baseada no respeito pela natureza e na sustentabilidade como práticas que devem fazer parte da vida quotidiana. Mais do que conhecer os problemas ambientais, a ideia é desenvolver hábitos e comportamentos que contribuam para a preservação do planeta.
Num cenário em que as redes sociais e a tecnologia influenciam cada vez mais a forma como as pessoas comunicam e se relacionam, Sukuma também chama atenção para a dimensão emocional. Para o músico, o progresso tecnológico perde parte do seu significado quando não é acompanhado pelo crescimento da consciência e do respeito pelo próximo.
Na visão do artista, saber utilizar a tecnologia não deve significar apenas dominar dispositivos ou plataformas, mas também compreender as consequências das escolhas feitas no ambiente digital.
A mensagem de Stewart Sukuma ultrapassa, assim, os limites da sala de aula. O músico defende uma cultura de convivência baseada na ajuda mútua e na capacidade de construir pontes num período marcado por conflitos, divisões e mudanças rápidas. Para ele, transformar a sociedade exige uma participação colectiva envolvendo cidadãos, artistas, empresas e governos.
A música surge como uma das ferramentas através das quais o artista procura levar essa mensagem ao público. Conhecido pela combinação de ritmos moçambicanos com influências contemporâneas, Sukuma tem associado a sua carreira artística a temas ligados à esperança, à solidariedade e ao compromisso social.
Nascido em Cuamba e criado em parte da juventude em Quelimane, Stewart Sukuma construiu uma carreira com presença em diferentes palcos nacionais e internacionais. Em 2014, tornou-se o primeiro artista moçambicano a lotar o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e ao longo do percurso dividiu palcos com nomes da música de diferentes países.
Além da actividade musical, o artista desenvolve trabalhos ligados à televisão e ao activismo social. Foi nomeado Embaixador da Boa Vontade do UNICEF em Moçambique, tornando-se uma das vozes públicas associadas à promoção dos direitos e do bem-estar das crianças.
Ao falar sobre educação, tecnologia, ambiente e relações humanas, Stewart Sukuma deixa uma reflexão que se estende para além das novas gerações: num mundo cada vez mais conectado, o desenvolvimento tecnológico precisa ser acompanhado por uma maior consciência sobre a forma como as pessoas vivem, convivem e cuidam do espaço que partilham.
Para o músico, o futuro não depende apenas de pessoas mais informadas ou tecnologicamente preparadas, mas também de pessoas mais conscientes, solidárias e capazes de construir relações baseadas no respeito.