Quénia torna-se no segundo país africano a lançar 5G. E Moçambique (só) nos testes

A operadora de rede móvel Safaricom lançou a rede 5G no Quénia, tornando-se, assim, no segundo país africano a abraçar esta tecnologia. A empresa iniciou a implantação em quatro cidades e espera expandi-la para nove até ao próximo ano.

O CEO da Safaricom, Peter Ndegwa, descreveu o lançamento na semana passada como “um marco importante para o país”. A telco está implementando o projecto usando tecnologia da finlandesa Nokia e da chinesa Huawei.

A MTN e a Vodacom lançaram o 5G na África do Sul no ano passado. Empresas de telecomunicações em cinco outros países africanos – Gabão, Lesoto, Nigéria, Uganda, Egipto e Marrocos – estão conduzindo testes internos para 5G, o que significa que ainda não está disponível para uso público.

Embora o novo desenvolvimento torne os quenianos os primeiros a adoptar o 5G na África, permanecem dúvidas sobre a prontidão do investidor e do mercado para o uso em massa da tecnologia em todo o continente. Como resultado, a adopção generalizada de 5G na região, embora uma perspectiva promissora, pode estar distante.

5G (ainda) é uma miragem em Moçambique

Em Moçambique, a autoridade reguladora dos sectores postal e de comunicações – Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique – alocou, em 2019, à operadora de telefonia móvel celular Vodacom, para um período de teste de dois anos, o espectro que garante o uso da tecnologia 5G. Segundo um comunicado da operadora, o teste inicial foi efectuado com sucesso, numa acção em parceria com a Nokia.

No processo de teste foi efectuado uma chamada de dados através desta rede. A Vodacom tornou-se, assim, a primeira operadora dos serviços de telecomunicações a usar a rede 5G no país, que oferece uma banda móvel com conexões de internet, com uma velocidade ultra-rápida e excelente experiência de utilização de dados e voz. 

Segundo o mesmo comunicado, numa primeira fase e com os recursos disponíveis, a velocidade alcançada com a rede 5G estará acima dos 400Mbps, portanto, quatro vezes acima daquilo que é a velocidade actual na tecnologia 4.5G. No entanto, esta tecnologia ainda não está comercialmente activa, apesar de que a sua expansão esteve prevista para 2020.

 

5G e as (suas) metamorfoses tecnológicas

5G é a quinta geração de rede móvel e vem suceder ao 1G (1980), 2G (1990), 3G (2000) e ao 4G (2010). O 1G foi desenvolvido com objectivo de efectuar chamadas de voz e tinha uma velocidade de 2,4 kilobityte (kbps) por segundo. O 2G passou a incluir também mensagens de texto e já era de 64 kbps por segundo. Com o 3G passou-se para uma velocidade de 384 kbps por segundo, incluindo, então, além das chamadas de voz e das mensagens escritas, a internet, através de dados móveis. O 4G permitiu o alcance da banda larga móvel, numa velocidade entre 100 megabyte (mbps) a um gigabyte (Gbps) por segundo.

No entanto, com o 5G espera-se que a velocidade de internet chegue a 10 Gbps por segundo, permitindo a conexão de dados ilimitados em qualquer lado, a qualquer altura e em qualquer formato.

Além de ser aplicado às comunicações móveis, o 5G será ainda crucial para áreas do quotidiano, mas também para potenciar outros avanços tecnológicos, nomeadamente nos carros autónomos, isto porque a potência desta rede vai além da rapidez nos uploads e downloads e assenta, sobretudo, na redução da latência, ou seja, do tempo de resposta de um aparelho a partir do momento em que recebe a ordem até a executar.

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