Um fim-de-semana intenso em Inhaca. A Casa de Régulo Nhaca ficou pequena para a moldura humana, de diferentes bairros, que não quis perder a festa do canhú, uma tradição naquele distrito municipal que se separa a 35 km de Maputo, ou seja, duas horas e meia de barco público, o famoso Kanyanka.

Para além da forte participação de crianças, jovens e adultos nativos, o evento contou igualmente com a presença de turistas nacionais e internacionais, que se deixaram encantar pela riqueza da tradição local, totalizando mais de 2500 pessoas. Para além de vivenciarem as expressões culturais do festival, os visitantes tiveram ainda a oportunidade de conhecer e apreciar lugares icónicos como a Ilha dos Portugueses e as praias de Santa Maria e do Farol, reforçando o carácter cultural e turístico do evento.

O evento ficou ao rubro quando o sol se pôs. A música ficou mais alta. As pessoas mais compostas. Enfim, o ambiente ganhou intensidade. Principalmente quando entrou ao palco Arnaldo Manhice e a sua guitarra, para um momento de viagem em torno das músicas do seu álbum de estreia “Pfula mbilo”, a destacar as músicas “Come on baby”, “Ha fanelana” e o famoso “Macamo”.

Mais tarde, quando a noite ficou mais escura, o palco da Casa do Régulo foi abrilhantado com a actuação vibrante do músico Xuxuta Xuta, num cruzamento de pandza, afro-house e kuduro. O artista, que canta e dança, escalou árvores, mesas e fez o público dançar com “Kuru fela” e “Ficou pequeno”.

Para além destes dois artistas, de Maputo, esteve o Dj Pateta, que se encarregou de animar os primeiros momentos, tendo seguido os anfitriões King, Hélder, Boné e outros, num evento que contou com personalidades tradicionais, políticas, entre outros.

O Festival de Canhú revelou-se uma importante plataforma de dinamização da economia local, criando oportunidades para que vendedores e pequenos empreendedores pudessem praticar os seus negócios. Através da venda de bebidas, pratos típicos e outros produtos gastronómicos, os participantes não só geraram rendimento, como também promoveram saberes, sabores e práticas culturais da Inhaca, transformando o festival num espaço vivo de troca económica, social e cultural.

O Festival de Canhú foi antecedido por uma cerimónia tradicional denominada Kuphalha, realizada na sexta-feira, na mata sagrada, local onde repousam os restos mortais do primeiro Régulo Nhaca. É neste espaço de profundo significado espiritual que o Régulo comunica com os antepassados, informando-os sobre qualquer actividade de relevância a ter lugar na Ilha de Inhaca, pedindo autorização, proteção e bênçãos.

Para a realização da cerimónia, a Família Real levou à mata bebida de canhú, cabrito e peixe para serem assados, elementos simbólicos de oferenda e comunhão espiritual. De acordo com a tradição, tudo o que é levado para a mata sagrada permanece, respeitando o vínculo ancestral com os antepassados e reafirmando a sacralidade do local e do ritual.

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