Criativos de Eswatini, África do Sul e Moçambique uniram-se para criar o Corredor da Incubadora de Artes (Arts Incubator Corridor – AIC), uma rede regional que pretende acelerar o desenvolvimento criativo, fortalecer a inovação e ampliar o acesso ao mercado para artistas e profissionais da indústria cultural no continente.
A iniciativa junta três plataformas com trajectórias consolidadas no ecossistema cultural africano. A House On Fire, reconhecida internacionalmente pelos festivais MTN Bushfire e Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival, alia-se à ALTBLK CONTINUA, fundada pela artista sul-africana Msaki, e X-Hub, incubadora moçambicana ligada ao Azgo Festival.
À frente da parceria estão Jiggs Thorne, director da House On Fire, Msaki, artista multi-premiada e fundadora da ALTBLK CONTINUA, e Paulo Chibanga, director e fundador da X-Hub. O objectivo comum é claro: estruturar uma colaboração regional que vá além de projectos pontuais e estabeleça um modelo contínuo de formação, incubação e circulação artística.
O AIC propõe um programa anual que integra formação certificada em criatividade e empreendedorismo, mentoria, incubação de negócios culturais e oportunidades de mobilidade artística. Estão previstas residências de intercâmbio, digressões regionais e laboratórios de co-criação, criando pontes concretas entre mercados vizinhos.
Segundo Jiggs Thorne, o Corredor representa um passo estratégico para formalizar práticas de cooperação já existentes e transformá-las num modelo estruturado e duradouro. A intenção é criar ligações reais entre ecossistemas criativos, melhorar o acesso a mercados e partilhar boas práticas na África Austral.
Paulo Chibanga destaca, por sua vez, o impacto prático da iniciativa para Moçambique, sublinhando que a ligação entre incubação, desenvolvimento de competências e acesso transfronteiriço ao mercado abre caminhos concretos para a profissionalização e internacionalização dos criativos da região.
Já Msaki reforça que a colaboração entre Moçambique, Eswatini e África do Sul procura fortalecer o crescimento artístico regional com base em sustentabilidade, cuidado e autonomia criativa, criando um espaço seguro e intencional para artistas se moverem, colaborarem e expandirem o seu alcance.
O Comité Directivo do AIC será responsável pela coordenação do programa anual, mobilização de financiamento e construção de modelos escaláveis de incubação criativa. Numa primeira fase, a prioridade será consolidar a presença da rede e estabelecer parcerias estratégicas que permitam ampliar o impacto em toda a região.
Com esta aliança, os três parceiros posicionam o Corredor da Incubadora de Artes como uma plataforma estruturada para impulsionar a economia criativa africana a partir de soluções pensadas e implementadas no próprio continente.
Elcídio Bila
Elcídio Bila é jornalista há 10 anos, escrevendo sobre artes e outros assuntos transversais. Tem passagens por dois órgãos de comunicação e diversos projectos de Media. Trabalha também como copywriter e Oficial de Relações Públicas em agências de comunicação. É fundador e director editorial do projecto Entre Aspas.