O mundo assinala, esta terça-feira (3), o, Dia da Vida Selvagem, uma data que celebra e reforça a urgência de proteger ecossistemas ameaçados pela acção humana. Em Moçambique, a efeméride ganha um significado ainda mais concreto com os resultados alcançados, por exemplo, pelos parques nacionais, onde a restauração ecológica é evidente.
Instituído pela Organização das Nações Unidas, o Dia Mundial da Vida Selvagem pretende reforçar a consciencialização sobre o papel essencial das espécies selvagens na manutenção da vida no planeta, ao mesmo tempo que chama a atenção para o combate aos crimes ambientais, à caça furtiva e à perda acelerada da biodiversidade.
Para o ambientalista moçambicano Rui Silva, numa nota publicada na sua rede social, a vida selvagem não é apenas património natural, mas uma base concreta de sobrevivência e desenvolvimento. “A vida selvagem é fundamental para a saúde do planeta, garante o equilíbrio ecológico, a biodiversidade e serviços importantes como polinização, purificação da água e absorção de carbono”, afirma.
Segundo o especialista, animais e plantas selvagens actuam em interdependência, assegurando ecossistemas saudáveis, controlam pragas, dispersam sementes, participam activamente na polinização das culturas agrícolas e contribuem para a regulação do clima.
Essa visão encontra reflexo prático no Parque Nacional de Gorongosa. Numa nota publicada hoje (3) na sua página oficial no Facebook, o Parque sublinha que o Dia Mundial da Vida Selvagem “não é um evento de um só dia, mas um compromisso diário”. A instituição homenageia fiscais de fauna bravia, cientistas, comunidades locais e parceiros globais que, ao longo de mais de duas décadas, têm trabalhado na protecção e reconstrução de um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
Os números impressionam: após mais de 20 anos de restauração e protecção, a população de grandes mamíferos cresceu dez vezes, ultrapassando actualmente os 110 mil animais, com uma taxa de recuperação global estimada em 99%. O caso é apontado como prova de que a conservação funciona quando há visão de longo prazo e cooperação entre Estado, comunidades e parceiros internacionais.
Em Moçambique, onde a riqueza natural continua a ser um dos maiores activos estratégicos, a vida selvagem tem também peso económico. O turismo de natureza gera receitas, cria empregos e sustenta comunidades locais, sobretudo nas zonas de conservação. Para além disso, a fauna e a flora carregam um valor cultural, espiritual, educativo e medicinal que faz parte da identidade nacional.
Num contexto global marcado pelas mudanças climáticas e pela pressão crescente sobre os recursos naturais, a mensagem que sai deste 3 de Março é clara: proteger a vida selvagem não é apenas uma causa ambiental, é uma decisão estratégica para o presente e uma garantia de futuro para as próximas gerações.
O Dia Mundial da Vida Selvagem (WWD, na sigla em inglês) das Nações Unidas é celebrado todos os anos a 3 de Março para homenagear os animais e plantas selvagens e reconhecer os papéis e contribuições únicos da vida selvagem para as pessoas e o planeta e o lema para este ano é “Plantas Medicinais e Aromáticas: Conservando a Saúde, o Património e os Meios de Subsistência”.
Elcídio Bila
Elcídio Bila é jornalista há 10 anos, escrevendo sobre artes e outros assuntos transversais. Tem passagens por dois órgãos de comunicação e diversos projectos de Media. Trabalha também como copywriter e Oficial de Relações Públicas em agências de comunicação. É fundador e director editorial do projecto Entre Aspas.